segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Perdão

Gustave Doré

                                                                                 Que ventre produziu tão feio parto?
                                                                                              (Augusto dos Anjos)


Perdoa meu pai este teu herdeiro
De vida decaída e fracassada
Rouba-lhe o sono e os réis na alvorada
Sou um verme, pútrido e carniceiro

Perdoa ó mãe este infeliz
Que de saíra de teu ventre com desesperança
Um homem que mais parece uma criança
Um louco que em solidão se torna bardo

Perdoai-me meus avós por esta vida
Que vivi intensamente em prol do nada
És a hora de minha amarga despedida
Minh'alma despede-se desta jornada

Perdoai-me minhas irmãs, pois este homem frívolo
Que agora vede partindo deste engano
Escreve como Augusto¹ que foste teu ídolo
Em dores agonizantes morre este ariano



Nota ¹: Augusto dos Anjos, poeta brasileiro do Simbolismo e Parnasianismo.


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