sábado, 12 de julho de 2014

Depoimento ao Coveiro


                                                   O homem nasce livre e por toda parte encontra-se a ferros
                                                                           Jean-Jacques Rousseau


Amigo coveiro
Lembro-me de quando enterrou minha dama que trajava cetim
Naquela noite tão bela, eu via  sua pá e a terra em cima da  flor de jasmim

Amigo coveiro
A cruz que enterraste frente a lápide
És da mulher de um Alvim

Amigo coveiro
Não tens culpa deste malefício
Apenas olhe pra mim

Amigo coveiro
O poeta que vedes
Um dia foi feliz, quanto o Arlequim

Amigo coveiro
Quão horrenda era a vida dela
Mas é em fúnebres batidas que se inicia um festim

Amigo coveiro
Sou uma viandante sozinho
E quero morrer bebendo vinho e o inferno será meu confim

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