terça-feira, 29 de julho de 2014

Cortiço

Ângela Almeida

Longa estrada sertaneja
Coberta pela garoa fina
Escuridão se põe, a noite se chega
E há onerosas e apagadas lamparinas

Crianças que correm e brincam ao vento
Ouvem o cântico dos pássaros nas praças
As folhas das árvores ao relento
Tão decaídas quanto as massas

Chega-se a noite de garoa fina
Ouvem-se os ecos dos oficiais errantes
A chuva que decai sob o morro é cristalina
Homens das docas chegam em casa murmurantes

Bestialidade que é imposta sob os crioulos
Que sofrem com as pistolas junto ao crânio
Cessam os homens no cortiço
E p'ras covas partem com gerânios


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