sábado, 26 de abril de 2014

Donzela


















 Vi triste e acanhada a donzela
 Numa saúva para todos cantar
 Via a sombra que cristalizara o sonho dela
 De o pranto sozinha poder jorrar

 E o suspiro de amor eras tanto
 P'ra uma pálida que eu via tão bela
 E não aguentava de ver tanto pranto
 Derramar sobre uma face donzela

Hei de dar-lhe a mão numa madrugada
 Pro começar de uma história tão triste
 Olhava pra lua sempre linda
 Não sabia eu o que ela viste

 Era a dama de negro do festim
 Que chorava por um amor de ilusão
 Mais uma história sem fim
 E eu só pude dar-lhe a mão

 E pranteava toda a cidade
 Inundava o necrotério
 Queria morrer com agilidade 
 P'ra no outro dia fazer um mistério

 E não aguentou a donzela
 O choro já se tornara antigo
 Deu de comer aos pássaros
 E não quis levar-me consigo

 E no alvorecer do dia
 Ela continuava bela
 Morreu ela de morte sombria
 Morreu triste a donzela

Nenhum comentário:

Postar um comentário